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A mostrar mensagens de Dezembro, 2012

THE WHITE MAN´S BURDEN

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Take up the White Man's burden- Send forth the best ye breed- Go, bind your sons to exile To serve your captives' need; To wait, in heavy harness, On fluttered folk and wild- Your new-caught sullen peoples, Half devil and half child. Take up the White Man's burden- In patience to abide, To veil the threat of terror And check the show of pride; By open speech and simple, An hundred times made plain, To seek another's profit And work another's gain. Take up the White Man's burden- The savage wars of peace- Fill full the mouth of Famine, And bid the sickness cease; And when your goal is nearest (The end for others sought) Watch sloth and heathen folly Bring all your hope to nought.

PLEASE DON´T TAKE MY AIR JORDANS - LEMON ANDERSEN

WILLIAM KAWKWAMBA: HOW I HARNESSED THE WIND

Verdadeiro exemplo de Esperança. William Kawkwamba, sem meios para tal, fabrica um moínho de vento. Agora, fruto do seu exemplo, apresenta o seu testemunho numa conferência TEDx. Ideias que valem a pena espelhar.

OLD POEMS TO LIFE - NATALIE MERCHANT

"NÃO SEI O QUE O AMANHÃ TRARÁ".

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A obra de Fernando Pessoa, em http://www.facebook.com/comunidadeportugal

Fernando Pessoa, é considerado um dos maiores poetas da Língua Portuguesa, e da Literatura Universal, muitas vezes comparado com Luís de Camões.

Sua última frase foi escrita em Inglês: "I know not what tomorrow will bring... " ("Não sei o que o amanhã trará").

Video Director: http://www.youtube.com/user/hugodealmeida

Fernando Pessoa was a Portuguese poet, writer, literary critic and translator, one of the most significant literary figures of the 20th century and one of the greatest poets of all time

LISBON REVISITED (1923)

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NÃO: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!

Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já di…

O OBSERVADOR NO ESCRITÓRIO

Por que se escrevem diários? Por que notadamente os escritores gostam de escrevê-los, dissipando o tempo que deveria ser consagrado a viver ou a produzir escritos públicos? Admite-se que o político e, de modo geral, o homem de ação se empenhem em manter registro continuado de fatos e conversações que possam justificá-los no futuro, se tiverem em conta o julgamento histórico. Neste caso, o diário valerá como documento de arquivo. Mas o escritor não precisa justificar-se, a não ser pela obra. Ninguém o obriga à anotação íntima, a esse mirar-se no espelho do presente. Então, se escreve o diário, há de ser por força de motivação psicológica obscura, inerente à condição de escritor, alheia à noção de utilidade profissional. Não pensei nisto, anos a fio, ao encher cadernos com anotações sobre o meu dia-a-dia, que jamais pretendi viessem a ter importância documental, como não têm. O impulso de escrever para mim mesmo, em caráter autoconfessional, ditou os feixes de palavras que fui acumuland…

DO LIVRO DO DESASSOSSEGO

Há porcos que repugnam a sua própria porcaria, mas se não afastam dela por aquele mesmo extremo de um sentimento, pelo qual o apavorado se não afasta do perigo. Há porcos do destino, como eu, que se não afastam da banalidade quotidiana por essa mesma atração da própria impotência.
São aves fascinadas pela ausência de serpente; moscas que pairam nos troncos sem ver nada, até chegarem ao alcance viscoso da língua do camaleão.
Assim passeio lentamente a minha inconsciência consciente, no meu tronco de árvore do usual. Assim passeio o meu destino que anda, pois eu não ando; o meu tempo que segue, pois eu não sigo. Nem me salva da monotonia senão estes breves comentários que faço a propósito dela. Contento- me com a minha cela ter vidraças por dentro das grades, e escrevo nos vidros, no pó do necessário, o meu nome em letras grandes, assinatura quotidiana da minha escritura com a morte.
Com a morte? Não, nem com a morte. Quem vive como eu não morre: acaba, murcha, desvegeta-se. O lugar o…

DO LIVRO DO DESASSOSSEGO

Livro do Desassosego, de Fernando Pessoa, Documentário da RTP
O relógio que está lá para trás, na casa deserta, porque todos dormem, deixa cair lentamente o quádruplo som claro das quatro horas de quando é noite. Não dormi ainda, nem espero dormir. Sem que nada me detenha a atenção, e assim não durma, ou me pese no corpo, e por isso não sossegue, jazo na sombra, que o luar vago dos candeeiros da rua torna ainda mais desacompanhada, o silêncio amortecido do meu corpo estranho.

Nem sei pensar, do sono que tenho; nem sei sentir, do sono que não consigo ter.

Tudo em meu torno é o universo nu, abstracto, feito de negações nocturnas.

Divido-me em cansado e inquieto, e chego a tocar com a sensação do corpo um conhecimento metafisico do mistério das coisas. Por vezes amolece-se-me a alma, e então os pormenores sem forma da vida quotidiana bóiam-se-me à superfície da consciência, e estou fazendo lançamentos à tona de não poder dormir. Outras vezes, acordo de dentro do meio-sono em que estagnei, e i…

UM DIA A MAIORIA DE NÓS IRÁ SE SEPARAR

Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos...
Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim... do companheirismo vivido... Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre...
Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nos e-mails trocados...
Podemos nos telefonar... conversar algumas bobagens. Aí os dias vão passar... meses... anos... até este contato tornar-se cada vez mais raro. Vamos nos perder no tempo...
Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas? Diremos que eram nossos amigos. E... isso vai doer tanto!!! Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha v…

COMO COMECEI A ESCREVER

Entrevista com Carlos Drummond de Andrade Aí por volta de 1910 não havia rádio nem televisão, e o cinema chegava ao interior do Brasil uma vez por semana aos domingos. As notícias do mundo vinham pelo jornal, três dias depois de publicadas no Rio de Janeiro. Se chovia a potes, a mala do correio aparecia ensopada, uns sete dias mais tarde. Não dava para ler o papel transformado em mingau.

Papai era assinante da Gazeta de Notícias, e antes de aprender a ler eu me sentia fascinado pelas gravuras coloridas do suplemento de Domingo. Tentava decifrar o mistério das letras em redor das figuras, e mamãe me ajudava nisso. Quando fui para a escola pública, já tinha a noção vaga de um universo de palavras que era preciso conquistar.
Durante o curso, minhas professoras costumavam passar exercícios de redação. Cada um de nós tinha de escrever uma carta, narrar um passeio, coisas assim. Criei gosto por esse dever, que me permitia aplicar para determinado fim o conhecimento que ia adquirindo do poder d…

LÉGUA TIRANA

Oh, que estrada mais comprida Oh, que légua tão tirana Ai, se eu tivesse asa Inda hoje eu via a Ana Quando o sol tostou as folhas E bebeu o riachão Fui até o Juazeiro Pra fazer uma oração Tô voltando estropiado Mas alegre o coração Padim Ciço ouviu minha prece Fez chover no meu sertão Varei mais de vinte serras De alpercata e pé no chão Mesmo assim ainda falta Pra chegar no meu rincão Trago um terço pra Das Dores Pra Raimundo um violão E pra ela, e pra ela Trago eu e o coração
                                     Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira

PAIXÃO À PRIMEIRA VISTA

CIDADES LIMPAS E CUIDADAS, CASINHAS HUMILDES
MAS TININDO DE ARRUMADAS: SORRIA, VOCÊ ESTÁ NO ACRE

Hoje de tarde fui à Bolívia, que fica logo ali. Encontrei Lima Duarte e Cássio Gabus Mendes bebendo umas Paceñas no boteco da esquina, enquanto, na praça em frente, centenas de maritacas fofocavam antes de se recolherem às palmeiras onde dormem. Conversamos e rimos muito; na volta, parei na beira do rio para me despedir de três jovens capivaras que avistei ontem. Não, não estou de pileque. Estou na cidade de Brasiléia, a poucos quilômetros de Xapuri. Vim de enxerida, ver as gravações da segunda fase de Amazônia, a fantástica minissérie de Glória Perez – e estou totalmente apaixonada pelo Acre.
A exuberância da natureza na região Norte nunca deixa de me surpreender, mas no Acre há bem mais do que isso – há um amor pela terra que se manifesta nas centenas de bandeiras do estado que tremulam em mastros oficiais, que se mostram nas lojas e nas casas, e que percorrem as ruas como adesivos de autom…

A ÚNICA VEZ

Meu pai morreu há quarenta e quatro anos, no dia 30 de outubro de 1950. Estava beirando os sessenta. Todas as manhãs, ia para o trabalho num Ford cupé 1946, verde escuro, de duas portas, placa 22152. Nosso apartamento, em São Cristóvão, não tinha garagem e o carro dormia na rua. Meu pai se preocupava com a pintura: o sereno desbotava o verde escuro etc.

Mas isso tudo ficou lá. Ontem, às seis da tarde, quando eu voltava para a Tijuca, passei pela Praça da Bandeira e me lembrei de meu pai. Ele trabalhava numa fábrica de chapéus, logo depois do Viaduto dos Marinheiros. Imaginei que se ainda estivesse vivo e se o Ford não existisse mais, eu poderia lhe oferecer uma carona. Nesse momento, talvez movido pela saudade, gritei seu nome, do modo italianado como minha avó o chamava: - Marino Francesco!
Em menos de um minuto, surgiu na minha frente, entre os automóveis em alta velocidade, um Ford cupê de duas portas, verde escuro, desbotado, placa 22152. Assustado, alcancei o carro e dei de cara com…

LOUCOS E SANTOS

LOUCOS E SANTOS, de Oscar Wilde, dito por António Abujamara
Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Qu…

EU SEI, MAS NÃO DEVIA

EU SEI, MAS NÃO DEVIA, de Marina Colasanti, dito por António Abujamara
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se costuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão. A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja …

O AMOR ACABA

O AMOR ACABA, de Paulo Mendes Campos, Youtube O AMOR ACABA, de Paulo Mendes Campos, Youtube
O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mul…